Hospitais contratados pela Prefeitura de SP durante a pandemia estão com leitos para Covid lotados

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Taxa geral de ocupação de leitos de UTI dos hospitais municipais é de 77%, mas alguns hospitais já registram ocupação acima de 95%.

Ocupação de leitos de UTI em hospitais contratados pela Prefeitura de SP. — Foto: Reprodução/TV Globo

Hospitais filantrópicos ou particulares que possuem contratos com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de leitos para pacientes com Covid-19 estão com ocupação máxima.

De acordo com balanço realizado nesta quarta-feira (19), estavam com 100% de ocupação nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) os hospitais Santa Marcelina, Santa Isabel e Hospital da Cruz Vermelha. A Santa Casa de Santo Amaro registrava 95% de ocupação.

Segundo dados da prefeitura, a taxa geral de ocupação na capital – que inclui os hospitais municipais e os leitos contratados – é de 77% na UTI e 61% em enfermaria.

Algumas unidades, no entanto, já registram lotação bem acima da média geral.

É o caso do Hospital Vereador José Storópolli, conhecido como “Vermelhinho”, na Zona Norte, que está com 95% de ocupação de UTI para pacientes de Covid.

De acordo com a gestão municipal, 54 pacientes aguardam transferência para leitos de UTI no município.

Dorival Rodrigues passou por três prontos-socorros até ser internado no Hospital Municipal da Brasilândia, também na Zona Norte da capital. Foram 15 dias de internação, 12 deles na UTI, até ter alta na última segunda-feira (17).

“Você passa por um fio pela morte. Do lado que eu estava, morreram três pessoas de Covid. Aí você começa a pensar na família, você começa a pensar na sua vida. Bate um desespero que você não tem nem ideia”, diz Rodrigues.

A esposa dele, Sirlei Rodrigues, já tomou as duas doses da vacina e escapou do coronavírus. No entanto, pegou pneumonia, doença típica desta época do ano, enquanto o marido estava internado.

“Eu fiquei uns três dias de cama muito ruim. Como somos só nós dois, eu tive ajuda de duas vizinhas, para também cuidar de mim, que foi o que me levantou, que me tirou da cama. Eu ainda estou terminando o tratamento da pneumonia”, conta.

Segundo o médico Márcio Sommer Bittencourt, casos como o do casal ilustram bem a situação dos próximos meses no sistema de saúde: o risco da Covid-19 somado ao das doenças do frio.

“As pessoas estão se comportando de forma menos intensa de controle da transmissão viral e a gente tá entrando no período de inverno, que é um período sazonal de maior transmissão de doenças respiratórias e também de maior ocupação de leitos hospitalares, independente da Covid”, diz Bittencourt.

Houve uma melhora na ocupação de leitos após a fase emergencial, a mais restritiva da quarentena no estado. Mas a queda já parou. Atualmente, o estado está em estabilidade de novas internações, mas em patamar ainda muito alto.

Apesar dos índices preocupantes da epidemia, o governador João Doria (PSDB) anunciou nesta quarta-feira novas flexibilizações da quarentena para os próximos dias.

Lotação de leitos de UTI nos hospitais municipais de SP. — Foto: Reprodução/TV Globo

Entre os 21 hospitais municipais da capital, seis estão com ocupação de leitos acima de 80% – limite do que os médicos passam a considerar colapso.

O Hospital da Brasilândia, onde Dorival esteve, aparece na lista com 90% de lotação.

Desde o início do ano, 437 pacientes morreram na fila de espera por um leito de UIT na Grande São Paulo. Franco da Rocha, Taboão da Serra, Francisco Morato e Itaquaquecetuba concentraram quase 60% das mortes.

Em nota, a prefeitura da capital disse que antes da pandemia tinha 507 leitos de UTI na cidade. Por causa da Covid-19, ampliou pra 1.363. Afirmou também que há 1.327 leitos de enfermaria.

Segundo a gestão municipal, todo paciente que precisa de internação é inscrito na Central de Regulação de Vagas Municipal – Crue – e também na do estado – Cross.

A Cross afirmou que registrou queda de 46% na demanda diária neste mês, na comparação com o mês passado, pico da segunda onda da epidemia no estado.

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